R. Cel. Guimarães, 949 - Centro, São Sebastião do Caí - RS - Fone: (51) 99979-0909

O aeronauta que contribui com o teto do INSS, se aposenta com o teto?

A grande maioria dos aeronautas quando chegam para a consulta em nosso escritório, desejam saber a mesma coisa: se vão receber o teto do INSS na aposentadoria, afinal a maioria sempre contribuiu pelo teto ou com altos salários.

E, infelizmente, nesse momento é preciso dar uma péssima notícia: é muito difícil, hoje, conseguir se aposentar pelo teto do INSS, mesmo que esse segurado tenha contribuído pelo teto quase sua vida inteira.

Mas existe uma explicação para isso e, com a bagagem dos meus mais de 18 anos de experiência na advocacia previdenciária, eu preparei um artigo especial para te explicar quais são os motivos pelos quais é tão difícil conseguir a aposentadoria pelo teto do INSS.

Neste artigo, vamos conversar sobre:

O que é o teto do INSS?

O teto do INSS é o valor máximo que a Previdência Social pode pagar a um segurado, seja de aposentadoria ou o auxílio maternidade ou auxílio-doença ou qualquer outro benefício.

Todos os anos o teto do INSS é reajustado, assim como o salário mínimo.

Entretanto, o salário mínimo nacional e os valores dos benefícios do INSS são reajustados de formas diferentes.

Enquanto o salário mínimo é reajustado com base:

  • na variação da inflação do ano anterior;
  • medida pelo INPC (índice nacional de preços ao consumidor); e
  • o crescimento real do PIB (produto interno bruto).

 

Já os benefícios do INSS, incluindo o teto, são reajustados apenas com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), sem considerar o PIB do ano anterior.

Com essa informação eu já posso te dizer que, o aumento do teto do INSS não acompanha o produto interno bruto – PIB do ano anterior ou ganhos reais acima da inflação. 

Caso acompanhasse, o aumento anual do teto do INSS poderia ser muito maior, acompanhando o reajuste do salário mínimo.

Para que você entenda melhor como funciona esse reajuste, eu preparei uma tabela com todos os valores dos tetos do INSS, a partir de 1994, com o percentual de reajuste do ano:

Tabela dos tetos do INSS

A partir de

Valor em reais

Total reajustado (%)

janeiro de 2025

R$ 8.157,41

4,77%

janeiro de 2024

R$ 7.786,02

3,71%

janeiro de 2023

R$ 7.507,49

5,93%

janeiro de 2022

R$ 7.087,22

10,16%

janeiro de 2021

R$ 6.433,57

5,45%

janeiro de 2020

R$ 6.101,06

4,48%

janeiro de 2019

R$ 5.839,45

3,43%

janeiro de 2018

R$ 5.645,80

2,07%

janeiro de 2017

R$ 5.531,31

6,58%

janeiro de 2016

R$ 5.189,82

11,28%

janeiro de 2015

R$ 4.663,75

6,23%

janeiro de 2014

R$ 4.390,24

5,56%

janeiro de 2013

R$ 4.159,00

6,2%

janeiro de 2012

R$ 3.916,20

6,08%

janeiro de 2011

R$ 3.691,74

6,47%

janeiro de 2010

R$ 3.467,40

7,72%

fevereiro de 2009

R$ 3.218,90

5,92%

março de 2008

R$ 3.038,99

5%

abril de 2007

R$ 2.894,28

3,31%

abril de 2006

R$ 2.801,56

5%

maio de 2005

R$ 2.668,15

6,36%

maio de 2004

R$ 2.508,72

4,53%

janeiro de 2004

R$ 2.400,00

28,39%

junho de 2003

R$ 1.869,34

19,71%

junho de 2002

R$ 1.561,56

9,2%

junho de 2001

R$ 1.430,00

7,66%

junho de 2000

R$ 1.328,25

5,81%

junho de 1999

R$ 1.255,32

4,61%

dezembro de 1998

R$ 1.200,00

10,96%

junho de 1998

R$ 1.081,50

4,81%

junho de 1997

R$ 1.031,87

7,76%

maio de 1996

R$ 957,56

15,00%

maio de 1995

R$ 832,66

42,86%

março de 1994

R$ 582,86

Fale conosco

Estamos à disposição para atendê-los e tirar todas as dúvidas

Quem contribui com o teto se aposenta com o teto do INSS?

Então chegamos na pergunta de milhão: se eu contribui com o teto do INSS a minha vida toda, ou grande parte dela, vou me aposentar com o teto?

A resposta para essa pergunta é: pode ser que sim, mas as chances de conseguir a aposentadoria pelo teto são pouca.

Só para você ter uma ideia, segundo dados divulgados pelo INSS em dezembro de 2024, dos quase 41 milhões de benefícios previdenciários e assistenciais pagos mensalmente, menos de 11 mil correspondem a pessoas que recebem o teto do INSS. 

E existem 2 motivos para que isso aconteça:

  • A defasagem na atualização e correção monetária das contribuições; e
  • A regra de cálculo escolhida pelo aeronauta para se aposentar.

Vamos entender melhor como esses dois fatores interferem diretamente no valor da sua aposentadoria:

A defasagem na atualização e correção monetária das contribuições 

Antes de fazer qualquer pedido de aposentadoria, precisamos fazer uma análise de todas as contribuições feitas pelo aeronauta durante toda a sua vida de trabalho.

Qualquer cálculo de benefício do INSS vai ter exatamente o mesmo primeiro passo:

  • pegar todas as contribuições feitas a partir de julho de 1994 até o momento do cálculo e fazer a correção monetária.

E nesse momento temos o grande vilão dessa situação: a defasagem na correção monetária.

A correção monetária deve ser feita mês a mês, juntamente com a atualização monetária, o reajuste que vimos na tabela acima. 

O grande problema disso é que os salários de contribuição nem sempre são atualizados de acordo com os mesmos índices de reajuste do teto do INSS.

Por isso, uma contribuição feita sobre o teto do INSS anos atrás não necessariamente, após a atualização monetária, atingirá o teto do INSS de hoje.

Diante dessa defasagem de valores, mesmo que todas as suas contribuições tenham sido feitas sobre o teto do INSS, dificilmente a média dos seus salários de contribuição será equivalente ao teto do INSS.

Para ficar mais claro, vamos pegar o exemplo de uma contribuição feita sobre o teto em agosto de 2009.

Na tabela de tetos do INSS que eu coloquei acima, vimos que a partir de fevereiro de 2009 o teto do INSS passou a ser de R$ 3218,90.

Fazendo a correção monetária com o cálculo até o mês de novembro de 2025, vemos que esse valor vai para R$ 7.936,49:

 

Atualmente, o teto do INSS é de R$ 8.157,41, o que significa que, somente nessa contribuição, existe uma defasagem de R$ 220,92.

Agora, imagine que todas as contribuições feitas a partir de julho de 1994 precisam ser atualizadas mês a mês com a correção monetária, causando uma defasagem mês a mês nas contribuições realizadas pelo segurado que não chegam ao novo teto do INSS. 

Então esse é o principal motivo para que quem contribuiu com o teto durante toda a vida, acabe não conseguindo se aposentar pelo teto do INSS ao final

A regra de cálculo escolhida pelo aeronauta para se aposentar

O segundo motivo para que quem contribui com o teto do INSS durante toda a vida, não consiga se aposentar pelo teto é: a regra de aposentadoria escolhida.

Cada regra de aposentadoria tem seus próprios requisitos e o seu cálculo.

Com a reforma da previdência de 2019, as regras de cálculo da aposentadoria mudaram muito e, infelizmente, não foram para beneficiar os segurados.

A regra de aposentadoria por idade, especial, pela idade progressiva e por pontos tem o seguinte cálculo:

  • 60% da média mais 2% ao ano que a mulher ultrapassar os 15 anos de tempo de contribuição e o homem que ultrapassar os 20 anos de tempo de contribuição.

Veja que além de ter a defasagem no cálculo da média (já que a atualização das contribuições não chega ao valor atual), ainda existe o percentual aplicado. 

Para que um homem consiga receber 100% da sua média, ele precisa ter 40 anos de tempo de contribuição. Enquanto a mulher precisa ter 35 anos de tempo de contribuição.

Já no caso da aposentadoria pelo pedágio de 100%, o aeronauta consegue uma aposentadoria integral, recebendo 100% da sua média, mas para isso também é preciso ter uma grande quantidade de tempo de contribuição, cumprindo os requisitos exigidos pela regra:

Homem

comprovar os 35 anos de tempo de contribuição

ter 60 anos de idade no momento do pedido de aposentadoria

cumprir o pedágio de 100% do tempo que faltava para atingir 35 anos de contribuição em 12/11/19

Mulher

comprovar os 30 anos de tempo de contribuição

ter 57 anos de idade no momento do pedido de aposentadoria

cumprir o pedágio de 100% do tempo que faltava para atingir 30 anos de contribuição em 12/11/19

Por fim, no caso da regra de aposentadoria pelo pedágio de 50%, o cálculo é feito da seguinte forma:

  • é feita a média de 100% das contribuições feitas a partir de julho de 1994 até a data do pedido o valor deve ser dividido pelo divisor mínimo, se for o caso, ou pela quantidade de contribuições realizadas no período.

O divisor mínimo é 108, ou seja, aqueles que tiverem menos de 108 contribuições a partir de julho de 1994, podem ter a aplicação do divisor mínimo e ter a redução no valor final da sua aposentadoria, já que a soma das suas contribuições devem ser divididas, necessariamente, por 108.

Após encontrar a média, deverá ser multiplicada por um fator previdenciário, que leva em conta a idade e o tempo de contribuição do segurado, podendo diminuir o valor da aposentadoria. 

Quanto mais jovem, menor será o fator previdenciário e menor será o valor da aposentadoria. Agora, quanto maior a idade, maior o fator previdenciário e maior o valor da aposentadoria.

Por isso, é muito importante realizar um bom planejamento previdenciário, simulando todos os cálculos de aposentadoria para saber qual deles irá fornecer o melhor valor de benefício.

Quem se aposenta com o teto do INSS, recebe o teto para sempre?

Sim, quem consegue se aposentar pelo teto do INSS, terá o valor do seu benefício reajustado anualmente, recebendo o teto atualizado.

Caso o aeronauta não chegue a receber a aposentadoria pelo teto, o valor do seu benefício será reajustado anualmente.

O que acontece se eu contribuir para o INSS acima do teto?

Muitos aeronautas acreditam que se contribuir com um valor acima do teto, vão receber uma aposentadoria maior, mas a verdade é que só vão estar perdendo tempo e dinheiro.

O INSS só irá considerar a contribuição até o teto, o que foi pago a mais será desconsiderado.

Nesse caso, é possível fazer o pedido de restituição dos valores pagos a mais, mas é um processo demorado. 

Quem ganha 10 mil paga quanto INSS?

Quem ganha 10 mil reais de salário precisa pagar a contribuição previdenciária sobre o teto do INSS.

Em 2025, a contribuição é de 20% de R$ 8.157,41, sendo que a contribuição previdenciária é de R$ 1.631,48.

A maior contribuição feita ao INSS é limitada ao teto do INSS, ninguém deve pagar mais que esse valor.

É possível receber mais que o teto do INSS?

Só existe uma possibilidade para o aeronauta receber mais que o teto do INSS que é:

  • ser aposentado por invalidez pelo teto; e
  • receber o adicional de 25%.

 

O adicional de 25% só é pago ao aposentado por invalidez nos seguintes casos:

  • Cegueira total;
  • Perda de nove ou mais dedos das mãos;
  • Paralisia dos dois braços ou pernas;
  • Perda das pernas, quando a prótese for impossível;
  • Perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível;
  • Perda de um braço e uma perna, quando a prótese for impossível;
  • Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social, ou seja, dificuldade em organizar o pensamento, o raciocínio e a tomada de decisões para fazer as atividades de vida diária e sociais sozinho;
  • Doença que deixe a pessoa acamada;
  • Incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

 

Para ter direito ao adicional, será necessário passar pela perícia médica presencial e pela aprovação do supervisor da perícia médica.

Conclusão

Como especialista em aposentadorias para aeronautas, eu separei algumas informações importantes para quem contribui com o teto do INSS e fica em dúvida sobre o valor do seu futuro benefício..

Se você deseja planejar a sua futura aposentadoria entre em contato para agendarmos uma consulta.

Se as informações deste artigo foram importantes para você, não deixe de compartilhar elas com os seus colegas de trabalho!

Foto de Rodrigo de Moura

Rodrigo de Moura

É Advogado formado pela Unisinos. Especialista em Direito Público pela Escola Superior da Magistratura Federal – Esmafe. Atuou como Conciliador junto a 1º Vara do Juizado Especial Federal Previdenciário na Justiça Federal de Porto Alegre.

Desde o ano de 2007 trabalha exclusivamente com Direito Previdenciário e Tributário, atuando em todo o Brasil e exterior.

WhatsApp